terça-feira, maio 12, 2015

A cidade que queremos


"Você nunca vai saber
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade".
(Paulo Leminski)
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Para iniciar um debate sobre a cidade que queremos precisamos ter primeiramente a compreensão de que a cidade é a extensão do nosso próprio corpo. A forma como lidamos com o nosso corpo reflete no cuidado com a cidade. Cada um de nós tem o dever de administrar bem o lugar em que vive. A cidade é a casa de todos. Dessa maneira, não podemos delegar exclusivamente aos políticos a função de zelar pelo nosso bem estar social.

Passa por todo cidadão a necessidade de um agir ético que esteja interessado pelo bem comum de toda a comunidade. A cidade não pode ser apenas um espaço de disputas e de privações. Infelizmente, nem todos têm direito à cidade. A cidade precisa ser um lugar de encontro. A cidade precisa de pessoas que fazem o bem por toda parte. O escritor Timothy Keller afirma que a própria Bíblia retrata as cidades como lugares de perversão e violência, mas também de refúgio e paz.

Sei que não é fácil viver nas cidades. Elas estão saturadas de corrupção e violência, ainda mais no caso do Brasil. Parece haver uma desintegração maior em nossa sociedade. Todavia, precisamos promover sentido à nossa existência rompendo com a natureza corrupta que habita em nós. Precisamos redimir as cidades. Precisamos de uma consciência mais acolhedora e menos egoísta. Uma consciência que integra o outro no lugar em que habitamos.

Ademais, a cidade não é feita de prédios, cimento e avenidas. A cidade é feita de gente, de complexas relações humanas. Nesse sentido, é importante que a cidade viabilize a existência social dos indivíduos. A cidade que queremos será sempre a cidade que somos.
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Ivan Cordeiro - presidente do Movimento Amigos de Conquista.
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