sexta-feira, junho 17, 2016

"A maioria dos indivíduos de nossa sociedade se beneficia de alguma meia-entrada", afirma o economista Marcos Lisboa


O acesso ao ensino superior público gratuito acaba beneficiando a elite que estudou nas melhores escolas privadas. Não seria mais justo que os mais ricos pagassem na universidade pública ao menos a mesma mensalidade que pagaram no ensino médio? Os mais pobres, que cursaram a escola pública, nada pagariam. E as mensalidades pagas pelos mais ricos poderiam auxiliar a moradia e os custos de manutenção dos mais pobres. Da mesma forma, é justo os mais ricos terem acesso gratuitamente a tratamentos de elevada complexidade no SUS?
A lista é longa. A maioria dos indivíduos de nossa sociedade se beneficia de alguma meia-entrada. Todos, porém, pagam a conta dos privilégios e benefícios concedidos aos grupos selecionados. O resultado é a imensa complexidade institucional, resultado das múltiplas regras para garantir o tratamento diferenciado aos grupos selecionados.
Essa complexidade e suas diversas distorções geram custos difusos para toda a sociedade, o custo Brasil, nome genérico para a dificuldade adicional de produzir e trabalhar no país. O custo que torna todos nós mais pobres. Infelizmente, as famílias sem representação organizada, em geral as mais pobres, sofrem ainda mais os custos de um país excessivamente sensível aos grupos de interesse.
A sociedade está refém de uma armadilha em que essas meias-entradas convivem e resultam em situação insustentável para as contas públicas. Nossa economia caminha célere de volta ao passado inflacionário. E esse passado é pior do que a alternativa, que seria uma negociação em que as meias-entradas fossem desfeitas ou renegociadas em bloco, para benefício da maioria. Estamos diante, portanto, de um complexo e conhecido problema de ação social.
Marcos Lisboa, economista e presidente da Instituição de Ensino Superior e Pesquisa Insper.
Leia o artigo completo: http://migre.me/u87rM
-

Nenhum comentário: